"Sim, eu quero saber. Saber para melhor sentir; sentir para melhor saber", Cézanne - Blog pessoal de assuntos variados, Ano V - Cuiabá - MT.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O senador sem voto decidindo impeachment!!!

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, professor e jornalista, Cuiabá-MT

Interessante ver que parte dos senadores que vai decidir o futuro do país na votação do processo de impeachment nunca teve um voto. É a aberração do senador suplente: Ninguém nunca tinha ouvido falar do sujeito até o momento em que o titular, por um motivo qualquer, deixa o mandato. Na campanha do titular, o sujeito nunca aparecia: mal e mal estava no material de campanha. Temos um assim em Mato Grosso que agora está todo pimpão no Senado: um senador sem voto... Temos em vários Estados. O senador-suplente-sem-voto é uma aberração constitucional, muitos defendem o fim, mas é igual pernilongo: não acaba.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Leminski, o cachorro louco

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e professor, Cuiabá-MT

O poeta Paulo Leminski, paranaense de Curitiba, nasceu em 24 de agosto de 1944. Faleceu novo, em 1989. Tinha um estilo todo próprio e, no poema "Poesias", assim se definiu:
"O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique"

Segue um outro grande texto de Leminski:

cesta feira
oxalá estejam limpas
as roupas brancas de sexta
as roupas brancas da cesta

oxalá teu dia de festa
cesta cheia
               feito uma lua
toda feita de lua cheia

no branco
             lindo
teu amor
            teu ódio
                       tremeluzindo
                                         se manifesta

tua pompa
tanta festa
tanta roupa
               na cesta
                           cheia
                                 de sexta

oxalá estejam limpas
as roupas brancas de sexta
oxalá teu dia de festa

mesmo
na idade
de virar
eu mesmo

ainda
confundo
felicidade
com este
nervosismo

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha 
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domingo, 21 de agosto de 2016

E Drácula quis morar em Londres...

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e professor, Cuiabá-MT


Lendas de vampiro existem há séculos. Mas o que faz de "Drácula", livro do escritor irlandês Bram Stoker, tão especial? Simples: Stoker teve a ideia de criar uma estória em que o chefão dos vampiros decide se mudar para Londres, e isso faz toda a diferença.

Stoker escreveu "Drácula" no final do século XIX: lançou a obra em 1897. Minha edição, que é de bolso, tem 546 páginas. A fórmula do texto de Stoker é interessante: toda a narrativa é em ordem cronológica, apresentando datas, e por intermédio de um somatório de diários ou de cartas escritos pelos personagens. Tudo começa com um jovem corretor viajando para a Transilvânia, onde um cliente ilustre queria informações sobre compra de um imóvel nos arredores de Londres. Adivinha quem é o cliente???

E, um belo dia, um navio desgovernado, em meio a um imenso temporal, vem velozmente em direção ao porto, em uma cidade litorânea inglesa, e se choca. Ninguém vivo no navio, mas um cão enorme salta e foge pela mata. Poucos dias depois, na mesma região, uma jovem começa a andar, como sonâmbula, para fora de sua casa... E marcas surgem no pescoço dela.

Para cuidar da jovem, que vai ficando cada vez mais pálida e fraca dia após dia sem que se descubra a causa, é chamado um médico estrangeiro, de certa idade e experiente: surge o fantástico Abraham Van Helsing, um dos personagens mais fascinantes da literatura de mistérios.

Pronto: de um lado, Drácula. De outro lado, Van Helsing: Façam suas apostas!!!

Três curiosidades da obra:

Um dos personagens, em vez de escrever seu diário, prefere gravá-lo: Bram Stoker populariza, para o mundo, um instrumento lançado comercialmente pouco antes do livro - o gravador.

A obra utiliza-se, em certo momento, de técnicas de hipnose, novidade na época.

E "Drácula" tem bigode... e denso!!! Descubro, portanto, que o cinema raspou o bigode do Drácula...

Uma crítica:

Por vezes, o texto é melodramático e exageradamente religioso. De qualquer forma, não prejudica o brilhantismo da criação de Stoker.

Algumas frases da obra:

"O desespero sabe engendrar suas calmarias".

"Nossa vida nada mais é que uma constante expectativa em torno daquilo que estamos fazendo, e a morte é a única coisa de que sabemos que não logramos escapar".

"Todos nós temos dentro de nós mesmos, de uma ou outra forma, algo de louco em potencial".

"O conhecimento está sempre acima da memória, e por isso não devemos confiar nesta sem primeiro recorrer àquele".

"É nos fracassos que aprendemos e não no delírio do sucesso!"

"Guarde-o sempre em sua mente: o riso que bater à sua porta perguntando 'posso entrar?' jamais será um riso genuíno e espontâneo. Não! Saiba que ele é e age como se fora um rei... vai e volta segundo sua própria vontade. Ele não nos consulta, nem a nós nem a ninguém; não escolhe hora, nem oportunidade. Ele apenas diz: 'Estou aqui!'"

"Vivemos num mundo muito estranho, repleto de tristezas e lamúrias, num mundo prenhe de negras misérias, de dores, de desgraças e infortúnios. E, ainda assim, quando o Riso Soberano nos empolga, faz com que todo este infindável séquito de males e castigos dance a seu ritmo e no seu diapasão".

"Presumo que um bom pranto, livre e espontâneo, serve para clarificar o espírito, como uma refrescante e copiosa chuva logo ameniza uma tensa e opressiva atmosfera".

"Não se esqueça que a própria vida é um vasto repositório de profundos mistérios".

"Nós devemos manter a nossa mente aberta, e não permitir que uma pequena verdade tolha a penetração de uma verdade maior, como por vezes acontece em nossa vida prática".

"É tão chocante aceitarmos assim de chofre uma verdade abstrata, que nós continuamos duvidando desta possibilidade, se sempre acreditamos em um empedernido 'não' que se contrapõe ao nosso raciocínio. Ainda mais duro é aceitarmos uma verdade concreta pior que a própria tristeza".
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Leia também, neste blog, sobre a criatura de Frankenstein - Clique aqui!

O dia em que o carimbador maluco partiu

Dizem que ele entrou na nave 
Pluct-Plact-Zum
e foi embora... Isso em
21 de agosto de 1989! 
Mais um ano sem
www.balaiocritico.blogspot.com.br

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Mais um ano sem Carlos Drummond de Andrade

O poeta mineiro foi embora em 17 de agosto de 1987. Relembre um de seus grandes poemas:


Os ombros suportam o mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

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Mais sobre Drummond neste blog:

Drummond, o aniversariante do dia e o que disse sobre o medo 

- Os cinco poetas da mão