"Sim, eu quero saber. Saber para melhor sentir; sentir para melhor saber", Cézanne - Blog pessoal de assuntos variados, Ano V - Cuiabá - MT.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Esses escritores e seus deuses...

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista, advogado e professor universitário. Cuiabá-MT.

Não há dúvidas: A literatura mundial, em todos os gêneros, gosta de tratar de Deus. Mesmo quem não acredita Nele, fala Dele. Há Deus para todos os gostos nos gêneros literários. Aqui algumas frases sobre Deus retiradas de algumas obras (clique nos nomes dos escritores para ler mais sobre eles neste blog):


“Deus significa amar aos outros como a gente ama a gente.”
(Em “O sol é para todos”)


"Se Deus, tal como Satanás, procura
As almas aliciar... por que deixa ao Pecado
Esse caminho suave, essa fatal doçura
E faz do Bem um fruto amargo e indesejado?"
(Em “O espelho mágico”)


“Honra é de Deus, não é de homem. De homem é a coragem...”
(Da novela “Dão-lalalão”)

“Quem souber o que é a sorte, sabe o que é Deus, sabe o que é tudo.”
(Da novela “Buriti”)

“Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinha...”
(Da novela “Buriti”)


"Assim nos fez Deus pra sofrer e durar, pecar e purgar. Matéria mais dura que o mais duro ferro é o nosso ser. Minha carne apodrecível, quando se liquifaz e escorre, deixando uma cinza de ossos para durar e depois se acabar, não está finando não. Está é parindo minha alma, livre, afinal para durar eternamente."
(Em “O Mulo”)

"Meu juiz, graças a Deus, é Deus mesmo, que me fez capaz de meus pecados."
(Em “O Mulo”)

"O corpo, meu corpo, é só uma bola de pele, cheia de carne e de sangue, pronta para derramar, apodrecer. Minha alma alada, o que será? Se fosse de metal, gastava, enferrujada. Não é. Se fosse, seja lá do que fosse, se acabava um dia. Tudo que é, acaba. Não é nada. Nem é, talvez. Ou será só Deus pensando, tomando conta, como um fiscal. Guarda-livros divino, espiando, mentando, para cobrar."
(Em “O Mulo”)


“Hoje, no sermão, o vigário falou muito em inferno. Vou escrever uma coisa que eu sinto que não deveria pensar. Não posso acreditar muito no inferno. Segundo o Padre Silvestre, o inferno é uma coisa horrível, nele só há fogo e diabos com aqueles garfos enormes cutucando nos pecadores. Quem vai para lá não sai mais e fica sofrendo por toda a Eternidade. (Outra história que eu não compreendo é a Eternidade) Agora eu pergunto: ‘Deus é bom, muito bom mesmo?’ Eu mesma respondo: ‘Sim, Deus é muito bom.’  O outro eu torna a perguntar: ‘Se ele é bom, como é que pode inventar um lugar tão ruim como o inferno?’ Lembro-me de que o vigário disse que foi satanás quem inventou o inferno. Mas como é que um dia destes, falando na Criação, o mesmo padre disse que Deus tinha feito todas as coisas? Ora, se Deus é bom mesmo, não pode mandar o pecador para o fogo eterno, por maior que seja o pecado. Por mais que eu pense e queira me convencer de que isto está certo, não consigo. A gente comete um pecado, às vezes sem querer ou sem saber que está cometendo, e lá vai para a caldeira do diabo. Não, não está direito.”
(Em “Música ao longe”)

“Mas confesso que às vezes na igreja não consigo me convencer de que estou na casa de Deus. (...) Quando rezo no meu quarto e converso com Deus baixinho, me sinto mais à vontade, mais tranquila. Parece que nós somos muito camaradas, parece que ele é um vovô.”
(Em “Música ao longe”)

"Deus devia ter feito as coisas de tal maneira que a gente pudesse comer as flores, as pedras, a relva... Assim, nunca, ninguém passaria fome."
(Em “Clarissa”)


“Neste mundo, tudo é lógico, nada sucede que não tenha os seus motivos, e Deus às vezes consente que os sábios os descubram.”
(Em “Capitão Háteras”)


“Não aturo mais todos esses deuses que os homens inventaram com certeza por causa do medo.”
(Em “O egípcio”)

“Quanto mais aprendo a respeito dos deuses mais me entristeço.”
(Em “O egípcio”)

“Evidentemente os deuses existem para a paz do povo e não para semear discórdia entre ele.”
(Em “O egípcio”)


"A natureza - é uma harpa presa nas mãos de Deus."
(Do poema "Poeta")


 “Acredito em Deus, só não quero perder a manhã inteira na igreja. Acho que para Deus tanto faz se você reza na igreja ou a caminho do trabalho.”
(Em “A história de Edgar Sawtelle”)


"Não é possível servir a Deus com uma arma."
(Em “Shantaram”)


“Será que as palavras de Deus podiam ser vendidas? Não deviam ser dadas de graça?”
(Em “A guerra do fim do mundo”)


“Destarte matamos os deuses, mas santificamos seus substitutos: professores, artistas, mulheres bonitas.” (Frase de Nietzsche)
(Em "Quando Nietzsche chorou")


"Sabe quando é que eu me sinto mais próximo de Deus e Deus mais perto de mim? É quando eu esvazio a bexiga ou os intestinos."
(Em “O casamento”)


"A única justificativa para Deus é ele não existir."
(Em “Lendo no escuro”)


"Queria escrever um teatro, cujo personagem (cujo é hilariante) fosse uma palhaça, não palhaça de circo, mas palhaça de verdade, um teatro pra conseguir a compaixão de Deus pro ser humano."
(Em “Cacos para um vitral”)

"Deus não abre mão das linhas tortas."
(Em “Cacos para um vitral”)


“Deus já desembarcou aqui (no Brasil) morto da silva. Sua carne de adorar vinha tão podre no crucifixo quanto as carnes de comer vinham podres no porão do navio. Mas o Brasil está até hoje vendo se digere aquele Deus decomposto.”
(Em “Quarup”)

“Deus fala pela boca dos doidos.”
(Em “Quarup”)

“Quando Deus nos encaminha àquilo que temos capacidade de amar com maior verdade, está nos encaminhando a ele próprio.”
(Em “Quarup”)


"O mesmo mal vem ou de Deus, que nos põe à prova, ou do diabo, que nos tenta."
(Em “A Religiosa”)

"Só nos sentimos mal onde Deus não nos quer."
(Em “A Religiosa”)

"Será que Deus, que criou o homem sociável, aprova que este se isole?"
(Em “A Religiosa”)


"Se você quer fazer Deus rir, conte a Ele seus planos."
(Em “O 11º Mandamento”)

"Não acredito que Deus se importe com a doutrina que abraçamos."
(Em “O 11º Mandamento”)


"Todos os loucos são protegidos por Deus."
(Em “Kim”)


“Quando Deus está morto, os seres humanos – para seu prejuízo – correm o risco de assumir o palco psicológico central. Eles se imaginam comandantes do próprio destino, pisoteiam a natureza, esquecem os ritmos da terra, negam a morte e se esquivam de avaliar e reconhecer tudo o que escapa ao seu domínio, até que, afinal, precisam colidir de maneira catastrófica com as arestas pontiagudas da realidade.”
(Em “Religião para ateus”)


"Era deus simplesmente porque era homem".
(Em “Memórias de Adriano”)

"O Amor, o mais sábio dos deuses..."
(Em “Memórias de Adriano”)


"Deus fez os passarinhos para mostrar como seriam as flores se voassem!"
(Em “O garanhão das praias”)


“Deus tenha os mortos na sua paz, mas que deixe os vivos viver!”
(Em “Crime e castigo”)


"O homem põe e Deus dispõe."
(Em “Boêmios errantes”)

De Bernard Cornwell:

“Deus está em toda parte. Ele não é um cão na coluna da igreja”
(Em “O herege”)

“Se Cristo voltasse amanhã não saberia que diabo a Igreja é”
(Em “1356”)

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Veja também frases temáticas:

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Foto: Cruz em capelinha de Catas Altas, MG.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Os dez melhores livros lidos ou "relidos" de 2016


Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista, advogado e professor universitário. Cuiabá-MT

Pelo sexto ano consecutivo, a lista dos dez melhores livros lidos ou "relidos" do ano anterior. Em 2016, foram esses meus dez livros, em ordem de preferência:

1 - "O 11º Mandamento", de Abraham Verghese - Clique aqui!

2 - "O silêncio das montanhas", de Khaled Hosseini - Clique aqui!

3 - "O filho de mil homens", de Valter Hugo Mãe - Clique aqui!

4 - "Cova 312", de Daniela Arbex - Clique aqui!

5 - "Soco na cara", de Conan Doyle - Clique aqui!

6 - "O casamento", de Nelson Rodrigues - Clique aqui!

7 - "Kim", de Rudyard Kipling - Clique aqui!

8 - "História do mundo para as crianças", de Monteiro Lobato - Clique aqui!

9 - "Lendo no escuro", de Seamus Deane - Clique aqui!

10 - "A detração", de Leandro Karnal - Clique aqui!

Recapitulando as listas anteriores

Em 2012, mês de janeiro, publiquei uma lista dos dez melhores livros que li ou reli em 2011, sem maiores pretensões e até meio envergonhado. Para a minha surpresa, a lista foi relativamente bem acessada. Naquele ano, meu livro "campeão" foi "O inverno da nossa desesperança", de John Steinbeck, em uma disputa apertada com "A cor púrpura", de Alice Walker. Clique aqui e veja a lista.

Resolvi repetir a dose e, em janeiro de 2013, saiu a lista dos dez melhores de 2012, com destaque para "O sol é para todos", de Harper Lee, que brilhou soberano. Em segundo, Darcy Ribeiro, com "O mulo". A lista pode ser acessada aqui!

O número de acessos a essas listas aumentou e, em janeiro de 2014, joguei a lista dos dez melhores livros lidos ou relidos em 2013 (clique aqui). "O egípcio", de Mika Waltari, foi o campeão.

Gostei da coisa, até porque alguns bons leitores que prezo muito me cobraram a manutenção da proposta. Em consequência, em janeiro de 2015 a lista trouxe, como liderança no ano de 2014, o grosso "Shantaram", de Gregory David Roberts, em uma disputa acirrada com "Chapadão do Bugre", de Mário Palmério. A lista está "aqui"!

Chegou janeiro de 2016. A lista de 2015 foi liderada por "Quarup", de Antônio Callado, um belo clássico nacional (Clique aqui).

Ao todo, seis listas, sessenta livros para todos os gostos. Boa leitura!!!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Kipling e o menino Kim, em outro grande livro do prêmio Nobel

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista, advogado e professor universitário em Cuiabá-MT


Rudyard Kipling é um escritor prêmio Nobel, o primeiro de língua inglesa. Mais: é o criador de Mowgli, um dos contos do seu esplêndido "O livro da selva" (clique aqui). Nascido na Índia, então colônia inglesa, Kipling criou uma literatura que mergulha nas tradições asiáticas. Seus contos - infantis, infanto-juvenis e adultos - são, ao mesmo tempo, densos e delicados. E o romance "Kim", escrito em 1901, é um exemplo deste estilo.

Para se ter ideia da importância de "Kim", uma das primeiras traduções da obra para o português foi de Monteiro Lobato. E, pensando bem, é nítida a influência das obras de Kipling sobre os textos do criador de Emília e Visconde de Sabugosa. Interessante é que, na mesma época que Kipling faleceu, em 1936, nascia a turma do Sítio do Picapau Amarelo.

Kim é um garoto, filho e órfão de irlandeses, que está abandonado na Índia. Não sabe a idade ao certo, mas tem por volta de 12 anos. É conhecido como "Amigo de Todos", pois conseguiu se criar na doce malandragem que não faz mal a ninguém, mas que consegue sobreviver "de boa", com carisma e esperteza e sempre fugindo das autoridades. Embora de país colonizador, se sente indiano e segue os costumes da Índia que tanto ama. Mas todo bom romance de aventura tem um "até que um dia...".

Sim, até que um dia, Kim conhece um lama budista, vindo das elevadas montanhas do Tibete, em peregrinação. Um lama idoso, incapaz de mentir, e sábio - muito sábio. A busca do lama é pelo rio da purificação, um rio nascido de uma flecha lançada por Buda que, ao tocar ao chão, fez brotar o curso d'água. Mas ninguém sabe onde fica. O sonho do lama se une ao sonho de Kim: descobrir uma previsão escrita pelo pai dele, um ex-soldado alcoólatra, de que ele encontraria um touro vermelho que lhe indicaria um grande futuro.

O velho lama e o rapaz saem pela Índia e mergulham em um imenso caldeirão cultural e místico... Os dois se complementam: um ensina ao outro, um aprende com o outro. E a história, repentinamente, envolve Kim em um episódio de guerra e de espionagem. O livro é um infanto-juvenil nível A, de Excelência, com a maestria de Kipling em traçar o perfil de personagens que não são nem bons e nem maus, como todos nós. E, a cada página, vamos conhecendo um pouco da natureza humana, não apenas na Índia do final do século XIX, mas também do mundo de hoje em que estamos.

Meu livro é da Editora Autêntica, uma bela edição, com 332 páginas, tradução de Maria Valéria Rezende.

Algumas frases da obra:

"Todos os loucos são protegidos por Deus."

"Sabe de uma coisa? Em minha longa vida, notei que as pessoas que passam o tempo todo apoquentando 'Os-Lá-de-Cima' com queixas, explicações, brados e lamentações vão-se embora logo."

"Não há pecado tão grande como a ignorância."

"Ainda mais agora que sabia escrever e isso era algo mágico, mais valioso do que qualquer coisa."

"Os homens são como cavalo. Às vezes precisam de sal e, se não o encontrarem na manjedoura, saem lambendo o chão à sua procura."

"Há coisas que aqueles que comem com garfo não entendem. É bom poder comer com as duas mãos de vez em quando."

"As religiões são como os cavalos: cada um tem grande valor apenas em sua própria terra."

"Corações são como cavalos. Vão e vêm de um lado para o outro, apesar do freio e das esporas."

"Os homens são tão caprichosos quanto as crianças na escolha de seus brinquedos."

"Fome e medo enfraquecem a inteligência da gente."

"A verdadeira cortesia muitas vezes consiste em não ouvir."

"Desde quando homens e mulheres são mais do que apenas homens e mulheres?"

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Cássia Eller, a cantora eclética

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e professor, Cuiabá-MT
Em 29 de dezembro de 2001, o Brasil perdeu sua maior cantora desde Elis Regina. De forma precoce, Cássia Eller partiu. Era uma camaleão. Cantava qualquer estilo, com sua voz rouca. Conseguia dar uma nova roupagem para a música, sem desvalorizar a versão original, como em "Por enquanto" e em "Blues da Piedade". A parceria dela com Nando Reis era espetacular, mas há belas gravações de Cássia Eller cantando Legião Urbana (Por enquanto), Chico Buarque (Partido Alto) e também passeando por Nirvana e Beatles. 

Aqui seis interpretações da artista:

As coisas tão mais lindas
(Nando Reis)

Metrô linha 743
(Raul Seixas)

Relicário
(Nando Reis)

Blues da Piedade
(Cazuza)

Socorro
(Arnaldo Antunes)

Por enquanto
(Renato Russo)

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Outras listas de músicas da MPB neste blog. Clique nos títulos:

- De Milton Nascimento

- De Chico Buarque

- De Cartola

- De Luiz Gonzaga

- De Noel Rosa

- De Caetano Veloso

- Dez sambas históricos


- De Tom Jobim

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Nossos passos pelo chão vão ficar...

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e professor, Cuiabá-MT

"Marcas do que se foi" é uma daquelas músicas que se perpetua. Basta alguém começar a cantar que logo surge um coro. Este ano, quero paz no meu coração. Quem quiser ter um amigo, que me dê a mão..., começa a letra. 

Lembro-me com 10 anos, Colégio Volta Redonda, onde a gente cantava a plenos pulmões uma outra versão menos romantizada da música: "Este ano, quero ficar de recuperação / Se quiser ser meu amigo, nunca estude não / O tempo passa, e com eles reprovados todos juntos vão estar / Nossos zeros no diário vão ficar / Vidros que já quebrei / Paredes que já sujei / Como todo mau aluno, professores já xinguei...

Brincadeira à parte, gosto da versão tradicional, com "Os incríveis". E AQUI deixo um vídeo com a banda tocando o clássico de virada de ano, afinal todo dia nasce novo em cada amanhecer

Um 2017 de felicidade e honestidade para todos, com forte tempero de respeito ao próximo, acompanhado de excelente vinho de solidariedade humana. Claro que teremos tristezas, desenganos e perdas em 2017, porque é da vida. Mas que possamos ter saúde e discernimento em cada situação adversa que enfrentarmos. É o desejo deste blog para cada leitor e família!!!