"Sim, eu quero saber. Saber para melhor sentir; sentir para melhor saber", Cézanne - Blog pessoal de assuntos variados, Ano V - Cuiabá - MT.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A madrugada vergonhosa para a Câmara dos Deputados

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e advogado, Cuiabá-MT

Quando a Câmara dos Deputados pega um projeto de lei, de iniciativa popular, com mais de dois milhões de assinaturas, e o desconfigura em plena madrugada, mostra o perfil dos parlamentares brasileiros, de partidos vários, que se dizem de direita ou de esquerda, de oposição ou situação. O projeto de lei que radicalizava contra a corrupção e a improbidade administrativa foi esfacelado, ridicularizado, enquanto o país literalmente dormia e as manchetes da imprensa tratavam da tragédia do voo da Chapecoense. 

Seria menos vergonhoso se os parlamentares o rejeitassem. Suas excelências se aproveitaram do texto chancelado por dois milhões de cidadãos para construírem um caminho onde chegaremos ao mesmo lugar usual: morosidade e impunidade nos crimes contra a administração pública e nas ações de improbidade administrativa. 

Se querem debater poderes da Magistratura e do Ministério Público, que o façam de forma apropriada, com o debate necessário e em outro texto legislativo, e não defecando em dois milhões de assinaturas. No rol de parlamentares que propuseram as mudanças vergonhosas, estão deputados que, em vez de passado, têm ficha corrida.

As dez medidas contra a corrupção, que constavam no projeto de lei popular, se tornaram um placebo, com a atitude dos deputados federais, que legislaram em causa própria, muitos com processos criminais ou de improbidade nas costas. Não querem mudanças contra um sistema corrupto que os mantém, que os enriquece, que os apadrinha. Foi um tapa na cara de cada brasileiro. Agora é esperar que o Senado derrube a lambança. Mas com Renan Calheiros presidindo a Casa...

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Milton Nascimento de sempre para sempre

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e advogado, Cuiabá-MT

Milton Nascimento, um falso mineiro mais mineiro do que muito mineiro: A contribuição de Milton Nascimento para a Música Popular Brasileira está naquele rol inestimável, em que não é possível aferir, medir ou pesar. E isso não apenas em razão do Clube da Esquina, movimento cultural forte nos anos 70, mas pelo resgate do folclore na musicalidade, junto com parceiros essenciais. Aqui, um rol de músicas marcantes na voz de Milton. Clique sobre o título para ouvir!

1 - Travessia

2 - Nos baile da vida

3 - Ponta de areia

4 - Para Lennon e McCartney

5 - San Vicente

6 - Saudades dos aviões da Panair

7 - Paula e Bebeto

8 - O cio da terra

9 - Canção do novo mundo 

10 - Cuitelinho

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Outras listas musicais neste blog:

- De Chico Buarque

- De Cartola

- De Luiz Gonzaga

- De Noel Rosa

- De Caetano Veloso

- Dez sambas históricos

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Outros textos sobre MPB? Clique aqui!

sábado, 15 de outubro de 2016

A literatura da Irlanda do Norte, em um livro que mistura a turbulência do país com os dramas de uma família

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e professor, Cuiabá-MT

A Irlanda do Norte sempre me despertou curiosidade, principalmente pela complexa relação política com a Inglaterra e pelos conflitos entre católicos e protestantes. Até que um livro me chamou a atenção: "Lendo no escuro", de Seamus Deane, com ótimas críticas da imprensa europeia. A obra é de 1996, da Editora Record, com 236 páginas.

Trata-se de um romance, ambientado nos anos 40 e 50, em uma cidade da Irlanda do Norte. A narrativa, em primeira pessoa, é de um homem, que conta suas memórias de infância e juventude, em uma família que guarda uma rede de segredos. O tio deste homem sumira antes dele nascer. Este era o primeiro segredo. A família diz que era um militante do IRA, a guerrilha irlandesa contra a ocupação inglesa, que precisou se exilar. De fato, ele era do IRA. Mas o motivo do sumiço era outro, muito mais trágico...

O livro nos vai ambientando na relação de ódio entre irlandeses católicos e ingleses. O ódio à polícia é um sentimento sólido. Republicanos contra monárquicos, em um país que é um barril de pólvora. "Quem já conheceu um verdadeiro republicano? É mais raro do que um verdadeiro cristão", filosofa o pai do protagonista, um homem triste e vítima de segredos, os quais conhece só em parte.

Fatos históricos vão sendo lembrados, em conjunto com o drama de uma família pobre, onde um homem sumira há anos e tal sumiço é um fantasma que paira. Descobrir tal fantasma é fazer surgir novos fantasmas. E eles surgem... "Liberdade para fazer o que quiser era uma coisa. Liberdade para fazer o que devia era outra. Duas coisas muito próximas e ao mesmo tempo bem distantes", diz o autor.

Deus também entra em pauta. na disputa fanática e religiosa entre católicos e protestantes. "A única justificativa para Deus é ele não existir", diz Joe, um personagem meio louco, que afirma: "Juventude eterna. O segredo dos malucos". Este maluco tem a chave para o mistério. Enfim, um livro muito bom.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

E viva a criança eterna em nós!!!

“Há na criança um pouco de homem desde o berço, como há no homem um pouco de criança até a morte” - Malba Tahan.

"Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele." - Evangelho segundo Marcos.

"Mas o Mundo da Fábula não é realmente nenhum mundo de mentira, pois o que existe na imaginação de milhões e milhões de crianças é tão real quanto as páginas deste livro. O que se dá é que as crianças, logo que se transformam em gente grande, fingem não mais acreditar no que acreditavam" - Monteiro Lobato.

"Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira alguma entrará nele" - Evangelho segundo Lucas.

"Parece que a única preocupação do bicho criança é brincar e brincar e brincar. E, no brinquedo, usam muito aquela maravilha do faz-de-conta. A gente grande não sabe o que é isso, por isso a gente grande é tão infeliz" - Monteiro Lobato.